24 novembro 2008

neste momento misterioso
percebi que "morte" só existe desse lado
se do "lado de cá" é "partida"
do "outro lado" é "chegada"
se fosse ruim...não seria com você!
neste momento esquisito
percebi que sorrisos podem ser muito tristes
e lágrimas...nem sempre são... lágrimas...
que nossos pés são capazes de agüentar
bem mais que nossos corações!
nesta sala gelada
dentro de uma caixa branca
um manequim maravilhoso
de lenço pink na cabeça...
buquê de gerânios, um anel de força, coragem e amizade,
lábios lindamente pintados,
num olhar distraído...
parecia ligeiramente com você!
nesta sombra de vela
chegando perto se vê
você não está mais ali.
nada mais existe ali,
pra onde foi tudo?
onde está?
numa sala vazia
restos de flores pelo chão
numa sala vazia
um "vão"
não venha me dizer
que pessoas são substituíveis, pois elas não são não!
pessoas de 27 anos não poderiam morrer.
morrer deveria ser privilégio de "gente velha",
que já está cansada de viver,
que já viu muitos outros viverem...e morrerem.
que já viu sonhos realizados e frustrados.
que já tentou, que já errou, acertou, ganhou e perdeu.
pessoas de 27 anos deveriam viver
viver para tentar
para errar e acertar
sorrir e chorar!
"ficou um buraco na roda"
... brinca de roda menina linda...
que daqui viveremos eternamente sua saudade!

para "Mere" com amor de irmã 17/11/2008

4 comentários:

Juan Carlo Moravagine disse...

Anunciaram que você morreu.
Meus olhos, meus ouvidos testemunham:
A alma profunda, não.
Por isso não sinto agora a sua falta.

Sei bem que ela virá
(Pela força persuasiva do tempo).
Virá súbito um dia,
Inadvertida para os demais.
Por exemplo assim:
À mesa conversarão de uma coisa e outra.
Uma palavra lançada à toa
Baterá na franja dos lutos de sangue.
Alguém perguntará em que estou pensando,
Sorrirei sem dizer que em você
Profundamente.

Mas agora não sinto a sua falta.
(É sempre assim quando o ausente
Partiu sem se despedir:
Você não se despediu.)

Você não morreu: ausentou-se.
Direi: Faz tempo que ele não escreve.
Irei a São Paulo: você não virá ao meu hotel.
Imaginarei: Está na chacrinha de São Roque.

Saberei que não, você ausentou-se. Para outra vida?
A vida é uma só. A sua continua.
Na vida que você viveu.
Por isso não sinto agora a sua falta.

Mario de andrade

J.F. de Souza disse...

Nunca sei o que dizer diante disso...

=(

=*

Pavón disse...

Existem coisas que nao precisam de definição, outras que não merecem explicação e outras que nunca entenderemos...
Hoje pensava nisso, morte existe para aqueles que ficam pois os que vão é chegada. Mas "nós" tão próximos, tão perto, sentimos um buraco no meio da roda... como se a brincadeira nao tivesse mais graça, perdesse a rima e a hora...

Beijos

Estava Perdida no Mar disse...

Também acho q a morte é para quem já conseguiu realizar os sonhos, viver a vida, beijar mil bocas, fazer família. A gente está começando a viver. A morte não devia ser coisa que pertencesse a nós.


Sinto muito. Muito mesmo. Sei o q é sentir isso.
Beijos